Vem no Vento (2003) é o disco em que o Jaguaribe Carne, coletivo de guerrilha cultural fundado em 1974 pelos irmãos Pedro Osmar e Paulo Ró, abriu suas portas para um verdadeiro encontro de gerações da música nordestina.
Vem no Vento (2003) é o disco em que o Jaguaribe Carne, coletivo de guerrilha cultural fundado em 1974 pelos irmãos Pedro Osmar e Paulo Ró, abriu suas portas para um verdadeiro encontro de gerações da música nordestina. Lançado após a projeção internacional do grupo no Festival de Jazz de Montreux, o álbum reúne 20 faixas e um elenco de convidados que vai de Lenine, Chico César, Elba Ramalho e Zeca Baleiro a Elomar, Xangai, Vital Farias, Totonho, Escurinho, Bráulio Tavares e o Quinteto da Paraíba, entre muitos outros, incluindo artistas que se formaram na própria escola do Jaguaribe nos anos 1980.
Concebido como o trabalho mais próximo do mercado na trajetória do grupo, com banda completa e arranjos de ambiência mais acessível, o disco não abriu mão da radicalidade poética que define o coletivo: aboios, incelenças, cirandas e crítica social atravessam faixas como “Vem no Vento”, “Aboiando o Peixe-boi”, “Incelença Para Um Povo-Boi” e “Piratas de Jaguaribe”. A instrumentação une baixo acústico, violão, rabeca, acordeão e zabumba à linguagem de banda, num retrato da tradição nordestina em atrito criativo com a experimentação. O resultado é uma das obras mais ambiciosas da música independente paraibana, agora finalmente disponível nas plataformas digitais.