Lançado em 2000, Sete Mares é um álbum quase conceitual de Milton Dornellas, que navega por temas bucólicos e atmosferas poéticas com leveza e profundidade.
Lançado em 2000, Sete Mares é um álbum quase conceitual de Milton Dornellas, que navega por temas bucólicos e atmosferas poéticas com leveza e profundidade. Com influências da música folclórica e popular brasileira, o disco evoca simplicidade sem abrir mão de sofisticação, construindo paisagens sonoras que convidam à contemplação.
As faixas trazem parcerias com nomes importantes da música paraibana, como Pedro Osmar, Chico César e Totonho, e contam com a participação de uma extensa rede de músicos e instrumentistas locais. O resultado é um álbum plural e generoso, que traduz em música o espírito coletivo e criativo de uma geração.
Faixas
1
Sete Mares Milton Dornellas, Pedro Osmar6:23
Danei andar
por quatro cantos
sem esperança de lhe encontrar
gastei sete botas
sete léguas
sete vidas tenho para lhe dar
danei contar
setecentas mil estrelas
que apontavam para o cais
sete mares em revolta
vou nadar
eu vim matar uma saudade assim
descarregando seu olhar em mim
senti morrer uma saudade enfim
descarregando seu olhar em mim
onde eu lhe vi
estávamos lá em tudo
vento, ventania
vento, grito, calmaria
a cada flor colhida
um beijo, uma lágrima, uma partida
a cada dor sentida
um jeito de tentar sarar essa ferida
eu vim matar uma saudade assim
descarregando seu olhar em mim
2
Pernas e Bocas Milton Dornellas4:01
Nunca me peça um
pra depois
quando há tara tanto é pouco
quem me deu
verde bandeira cor
é capim
pernas e bocas
dança e tantas
e viro cão em pleno céu
jeito de corpo dá pra divertir
e nesse chão
seguindo o tom é só jogar quadril
pro céu
3
Lual Milton Dornellas, Pedro Osmar5:12
A lua cheia é generosa
a todos os quintais.
Grava formas no chão,
dá cores aos olhares,
ilumina os caminhos
dos cavalos,
dos camelos,
dos pés,
dos pés de algodão.
Sua face
é uma rota
pra rota rota e torta
das tristezas aqui do chão.
A lua cheia é carinhosa.
Em cada coração
crava seu olhar.
No jardim passeia lindona,
primavera das pessoas,
como uma deusa,
como uma noiva,
como uma amiga
a quem esperamos todo dia
com seus dotes
e seu eterno sorriso
de maçã mordida
4
Mar de Dentro Pedro Osmar4:54
O homem acha que a baleia
gosta de comer arpão.
Baleia gosta de passear no mar
Baleia gosta de comer peixinho
Baleia gosta é de namorar
O homem acha que a floresta
gosta de viver queimada.
Floresta gosta de verde se olhar
Floresta gosta de rio a lhe correr
Floresta gosta de pássaro voar
O homem acha que o homem
gosta de perder o rumo.
O homem gosta de livre caminho
O homem gosta de vida aberta
O homem luta contra seus espinhos
O homem acha que a vida
gosta do lixo comer.
A vida gosta de sua bondade
A vida gosta de povo contente
A vida gosta é de felicidade
5
Mural Milton Dornellas4:33
Não vale a pena crer
que estou tão só nesse mural.
Mapear a dor pra que
se eu posso cantar no seu quintal.
Não vale a pena crer
que o sol se põe no seu jardim
e que é só da flor colher
e de toda luz se apoderar
6
Lembrete Milton Dornellas, Pedro Osmar, Ronaldo Monte4:10
Se for sair para amar
Leve junto um bocado de perdão
Porque logo devem ser esquecidas
As promessas que por certo te farão
Se for amar leve junto
Um grosso dicionário
Para medir as palavras
Que por certo serão ditas
Nos momentos de paixão
Se for amar leve junto
Mercurocromo, algodão
Um rolo de esparadrapo
Para fechar as feridas
Que por certo sangrarão
Se for amar se previna
Deixe em casa o coração
7
Berço das Pedras Milton Dornellas, Ronaldo Monte3:20
Onde eu plantei o meu coração
Esperava nascer uma pedra
Nascente de ruas desertas
Transformadas em rios de sal
Bate coração de pedra
Quebra o peito de cristal
Quando é um tempo de nada e não
Tempo de lavorar pedras
Semear campos de esmeraldas
Colher safras de pedra sabão
Pedra que bate no peito
Veio de sangue no chão
A sombra do flamboyant
os cachos cor da manhã
atiradeira no bolso
esquecida a intenção
onde vai dar essa estrada
esboço do amanhecer
9
Soma Milton Dornellas, Ronaldo Monte, Chico César4:16
O silêncio é o solo da palavra.
Quanto mais denso
mais forte o verbo dele brota.
Pra eu cantar aqui tantos se foram
com versos, metrancas e seus sonhos.
Tudo parece tão distante
está tudo no ar.
Ai coração,
não se iniba nunca de brigar.
O homem é a soma de seus mortos.
E a vida a ensinar
ainda vai dar coração,
ainda vai dar.
Ai ai, ui ui.
Isso é que é coração partido,
isso é que é partir coração
10
Dona Mariana Milton Dornellas4:23
Lá em cima daquela serra
Dona Mariana
tem uma cavalaria
da donzela Teodora.
Cada cavalo uma sela,
cada sela uma senhora.
Cada senhora daquela
Dona Mariana
traz no dedo uma memória
11
Quer Dançar? Milton Dornellas, Ronaldo Monte4:32
Quis te ver,
depois quis esquecer,
mas no fim
decidi te chamar pra dançar.
Quis voar,
contigo me queimar,
renascer
e depois tocar fogo no céu.
O que vale é o meu rosto junto ao teu
e que o doce encanto não se acabe.
O que arde é o teu corpo junto ao meu
e o que o fogo, a chama, a vida guarde.
Vem, me ensina a ser feliz
com teu jeito de dançar.
Me abraça, me beija, aperta a minha mão.
Vem comigo se perder
no meio desse salão.
Grava no meu corpo a forma de te amar
12
Da Roupa a Renda Milton Dornellas6:03
Deixa viver no verde mato o coração
que é o desejo de um amor sem fim.
É sem cor esse transformar,
é com dor esse partir.
A hora é de mil cordões tecer
pois por um fio nosso cabo está.
Será cartola que fará nascer
com tanta força a ponta mágica?
Deixa viver o meu maracujá,
o meu caju e o lindo coqueiral
que é maior que um arranha-céu
que é da roupa a renda do meu litoral